quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

( na paisagem bela e incomparável do saudoso Timor leste )
A casa...


e a casa fecha-se
como uma flor que se gasta

agora
as palavras sobem-na
como raízes
devoradoras
sobre os olhos
entaipados

há esse amor
um vermelho muito alto
tão alto
e a morrer, a morrer
como sangue ao relento
ou livros abandonados
no chão da memória

no desejo

e há um adeus muito triste
um céu antigo
que tudo cobre sem gritar

ternura
é a ternura meu amor
é esta fogueira medonha que se apaga
no coração silencioso
do tempo frio

a casa, amor
o punho fechado do destino
roendo
o que os olhos largaram na rua
o que as mãos pousaram
no coração
para sempre, para sempre, para sempre

In: gil t sousa